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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília é uma ilha (eu falo porque eu sei)

No cinquentenário da "Novacap", vasculhei meus álbuns de fotografia e encontrei os quatro registros abaixo, entre muitos outros, feitos em dezembro de 1998.

Na ocasião, Brasília era uma jovem de 38 anos, mas já apresentava muitas das marcas de expressão que exibe hoje, aos 50.

O fotógrafo era um rapaz de 19, estudante de jornalismo e aficionado por fotografia, disposto a percorrer o Brasil com uma Pentax K-1000 a tiracolo e o melhor amigo como parceiro de viagem.

O fotógrafo gostou da cidade, apesar de sentir falta das esquinas e dos arranhacéus. E virou fã de Niemeyer, apesar do desconforto causado por prédios amplos e frios, subterrâneos inóspitos e uma opressiva arquitetura monumental.

As fotos, agora digitalizadas, servem para prestar minha homenagem ao sonho de JK. E minha esperança de que a cidade voltará a ser sonho, para além do pesadelo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sinfonia da Reforma

(Título de ensaio fotográfico de Lalo de Almeida publicado na edição de fevereiro de Época São Paulo, com texto de Camilo Vannuchi)


O Teatro Municipal se transforma. Dentro e fora do prédio, é possível conferir o movimento dos artistas, concentrados nos ensaios desde julho de 2008. Nesta temporada, quem se apresenta ali são mais de 70 atores, todos eles com igual figurino: macacão e capacete.


É tempo de restaurar a fachada e os salões da mais antiga casa de espetáculos em atividade de São Paulo, inaugurada em 1911 e tombada em 1981.


Projetado por Ramos de Azevedo, o teatro preserva a imponência de um templo.


Em defesa do patrimônio, restauradores lapidam cada gesto com a gravidade que o cenário exige.


E o que eles encenam, com espátulas e pincéis, é mais que uma peça de Ibsen ou uma ária de Bizet. É o passado projetado no futuro.


Enquanto plainas e lixas substituem os violinos habituais, operários se esmeram na requalificação da casa.


Por ora envolto em pó, o prédio voltará remoçado ao roteiro da cidade.


Os nomes dos restauradores serão esquecidos. Mas o teatro permanecerá, altivo e elegante como sua instrumental arquitetura.