(Título de ensaio fotográfico de Lalo de Almeida publicado na edição de fevereiro de Época São Paulo, com texto de Camilo Vannuchi)

O
Teatro Municipal se transforma. Dentro e fora do prédio, é possível conferir o movimento dos artistas, concentrados nos ensaios desde julho de 2008. Nesta temporada, quem se apresenta ali são mais de 70 atores, todos eles com igual figurino: macacão e capacete.

É tempo de restaurar a fachada e os salões da mais antiga casa de espetáculos em atividade de
São Paulo, inaugurada em 1911 e tombada em 1981.

Projetado por
Ramos de Azevedo, o teatro preserva a imponência de um templo.

Em defesa do patrimônio, restauradores lapidam cada gesto com a gravidade que o cenário exige.

E o que eles encenam, com espátulas e pincéis, é mais que uma peça de Ibsen ou uma ária de Bizet. É o passado projetado no futuro.

Enquanto plainas e lixas substituem os violinos habituais, operários se esmeram na requalificação da casa.

Por ora envolto em pó, o prédio voltará remoçado ao roteiro da cidade.

Os nomes dos restauradores serão esquecidos. Mas o teatro permanecerá, altivo e elegante como sua instrumental arquitetura.