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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília é uma ilha (eu falo porque eu sei)

No cinquentenário da "Novacap", vasculhei meus álbuns de fotografia e encontrei os quatro registros abaixo, entre muitos outros, feitos em dezembro de 1998.

Na ocasião, Brasília era uma jovem de 38 anos, mas já apresentava muitas das marcas de expressão que exibe hoje, aos 50.

O fotógrafo era um rapaz de 19, estudante de jornalismo e aficionado por fotografia, disposto a percorrer o Brasil com uma Pentax K-1000 a tiracolo e o melhor amigo como parceiro de viagem.

O fotógrafo gostou da cidade, apesar de sentir falta das esquinas e dos arranhacéus. E virou fã de Niemeyer, apesar do desconforto causado por prédios amplos e frios, subterrâneos inóspitos e uma opressiva arquitetura monumental.

As fotos, agora digitalizadas, servem para prestar minha homenagem ao sonho de JK. E minha esperança de que a cidade voltará a ser sonho, para além do pesadelo.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Capital da esperança

Beija-flor no Rio, Tom Maior em São Paulo. Duas belas escolas irmanadas no tema escolhido para o carnaval deste ano: os 50 anos da inauguração de Brasília. Sonho de Juscelino, transposto para o papel pela lapiseira de Lúcio e ornamentado com a arte curvilínea de Oscar, Brasília é Atlântida onírica: dama do cerrado encravada no Planalto, construída por candangos da planície para representar um projeto de nação, consagrar a coragem criativa do homem brasileiro e apontar o futuro. Capital da esperança, conforme o axioma reproduzido nos sambas-enredos das duas escolas. "Orgulho, patrimônio mundial", comemora a letra da Beija-flor (imagem do desfile na foto abaixo). "A imagem da modernidade", celebra um verso da Tom Maior.


O pesar diante da real vocação de Brasília, aquela que se verifica todos os dias, se avoluma ao toque dos surdos e tamborins. Passados 50 anos, Brasília não confirmou as expectativas nela depositadas, nem deve confirmar tão cedo. É triste, para um brasileiro que comparece às urnas e admira o desenho daquela cidade, acompanhar a evolução de tantas alegorias, cantarolar o samba diante da televisão e registrar a cadência de belas cabrochas quando um governador permanece preso, com habbeas corpus negado, e o vice não tem legitimidade sequer para assumir o posto. É triste aguardar um cinquentenário desses quando maços de dinheiro são distribuídos por bolsos e roupas, as mais diversas, com a desenvoltura de quem parece entender do riscado. É triste observar a capital da esperança assim, tão jururu.
Que esse inferno astral termine logo.