terça-feira, 8 de março de 2011
Imagens de Inhotim
Visitei o maior museu a céu aberto do mundo, logo ali em Brumadinho (MG), nos últimos dias de dezembro do ano passado. São diversos pavilhões e obras de arte contemporânea espalhados pela antiga fazendo do Nhô Tim, daí o nome do Instituto, que também congrega uma invejável coleção de palmeiras e outras plantas. De uns tempos pra cá, ouvi boatos de que Bernardo Paz, o empresário dono daquilo tudo, lava dinheiro com o mecenato. Não quis saber os detalhes. Seria muita decepção para quem ficou absolutamente encantado com tamanha beleza. Lavagem de dinheiro ou não, o lugar é bonito que só vendo. Dá só uma espiada:
sábado, 5 de março de 2011
O périplo dos melhores hambúrgueres
Descobri uma coisa: sou doido por hambúrguer. Descobri outra coisa: estou completamente por fora do maravilhoso universo hamburguístico paulistano. Foi só pegar a mais recente edição da Época SÃO PAULO e conferir a reportagem de capa - que ajudei a editar - para me dar conta de que, dos 14 estabelecimentos campeões no preparo do sanduíche, eu já havia comido em apenas três. Que-ver-go-nha!
Não esperei nem a revista chegar às bancas para dar início à maratona de estudo de campo. Comigo é assim. Quando percebo que claudico em algum conteúdo relevante para meu desenvolvimento pessoal e profissional, trato logo de buscar conhecimento. No caso, resolvi agendar visitas a algumas das hamburguerias mais famosas (e melhores) da cidade. Em duas semanas, fui a três: o Joakin's, apenas para confirmar a suspeita de que a tradição e o movimento na madrugada independem de uma cozinha nota dez, o 210 Diner e o St. Louis - esses, sim, titulares em qualquer escalação.
Dos 14 salões recomendados por Época SÃO PAULO na referida revista, agora eu já conheço cinco: o Ritz, a Lanchonete da Cidade, a Hamburgueria do Sujinho, o St. Louis e o 210 Diner. Também já fui ao Gardênia e ao Nou, citados na reportagem, embora jamais tenha comido hambúrguer nesses locais. Até o fim de março, pretendo provar os lanches do Rothko - o sanduíche chega à mesa com uma cúpula e envolto em fumaça de churrasco, e leva queijo da Canastra! - e da sofistica Forneria San Paolo - o cheeseburguer é grelhado com cheddar e envolto em massa de pizza, assada no forno a lenha. Vai ficar faltando o Seu Oswaldo, a Hamburgueria Nacional, o P. J. Clarke's... Mas até junho eu liquido todos! Uma coisa eu sei: já devo estar um pouquinho mais gordo do que antes. Ainda bem que minha academia funciona 24 horas.
Não esperei nem a revista chegar às bancas para dar início à maratona de estudo de campo. Comigo é assim. Quando percebo que claudico em algum conteúdo relevante para meu desenvolvimento pessoal e profissional, trato logo de buscar conhecimento. No caso, resolvi agendar visitas a algumas das hamburguerias mais famosas (e melhores) da cidade. Em duas semanas, fui a três: o Joakin's, apenas para confirmar a suspeita de que a tradição e o movimento na madrugada independem de uma cozinha nota dez, o 210 Diner e o St. Louis - esses, sim, titulares em qualquer escalação.
Dos 14 salões recomendados por Época SÃO PAULO na referida revista, agora eu já conheço cinco: o Ritz, a Lanchonete da Cidade, a Hamburgueria do Sujinho, o St. Louis e o 210 Diner. Também já fui ao Gardênia e ao Nou, citados na reportagem, embora jamais tenha comido hambúrguer nesses locais. Até o fim de março, pretendo provar os lanches do Rothko - o sanduíche chega à mesa com uma cúpula e envolto em fumaça de churrasco, e leva queijo da Canastra! - e da sofistica Forneria San Paolo - o cheeseburguer é grelhado com cheddar e envolto em massa de pizza, assada no forno a lenha. Vai ficar faltando o Seu Oswaldo, a Hamburgueria Nacional, o P. J. Clarke's... Mas até junho eu liquido todos! Uma coisa eu sei: já devo estar um pouquinho mais gordo do que antes. Ainda bem que minha academia funciona 24 horas.
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Coisas de amigo
Estou há trinta e poucos minutos chorando. Comecei a chorar na página 274, acho, e continuei assim até a página 301, a última. Tive de interromper a leitura umas três vezes, incapaz de decifrar palavra com a vista turva, embrumada. Histórias de amigos fazem isso comigo.
Amizade, para mim, é alumbramento dos mais assustadores. Magia pungente que desafia razão e senso. Cumplicidade e afeto de irmãos. As amizades púberes, ou adolescentes, são ainda mais surpreendentes pela permanência e pelo alcance. Envergadura e autonomia de vôo. Sinto e ajo em coro com Caetano: "a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade - e quem há de negar que esta me é superior?"
Edney Silvestre foi uma grata surpresa. Se eu fechar os olhos agora não é um romance sobre um assassinato, nem sobre uma investigação, como fazem supor os primeiros capítulos. Trata-se de um tratado eloquente e catártico sobre esse troço esquisito chamado amizade. Troço emocionante. Troço que ensina e seduz.
Concluir o livro, a galope, me fez olhar com saudade - mas também com orgulho - para o tanto de coisa que aprendi com meus amigos. Contam-se nos dedos, aliás. Os amigos. Aqueles da adolescência, estruturais e fundantes, em apenas uma mão. Amigo de consonância e parceria permanente, companheiro e camarada, a despeito do tempo e do espaço, como Eduardo para Paulo e Paulo para Eduardo, guardo apenas um. E basta. Sempre bastou.
Amizade, para mim, é alumbramento dos mais assustadores. Magia pungente que desafia razão e senso. Cumplicidade e afeto de irmãos. As amizades púberes, ou adolescentes, são ainda mais surpreendentes pela permanência e pelo alcance. Envergadura e autonomia de vôo. Sinto e ajo em coro com Caetano: "a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade - e quem há de negar que esta me é superior?"
Edney Silvestre foi uma grata surpresa. Se eu fechar os olhos agora não é um romance sobre um assassinato, nem sobre uma investigação, como fazem supor os primeiros capítulos. Trata-se de um tratado eloquente e catártico sobre esse troço esquisito chamado amizade. Troço emocionante. Troço que ensina e seduz.
Concluir o livro, a galope, me fez olhar com saudade - mas também com orgulho - para o tanto de coisa que aprendi com meus amigos. Contam-se nos dedos, aliás. Os amigos. Aqueles da adolescência, estruturais e fundantes, em apenas uma mão. Amigo de consonância e parceria permanente, companheiro e camarada, a despeito do tempo e do espaço, como Eduardo para Paulo e Paulo para Eduardo, guardo apenas um. E basta. Sempre bastou.
"Eduardo correu para alcançá-lo.
- Para onde você está indo, com tanta pressa?
- À merda.
- Calma, Paulo!
- Vou à merda porque eu sou um merda! Todo mundo ri de mim! Todo mundo debocha de mim! Ninguém me respeita! Meu pai não me respeita, meu irmão não me respeita, nenhum professor me respeita, nenhum colega me respeita, ninguém na escola me respeita. Ninguém na minha casa me respeita. Ninguém. Em lugar nenhum. (...)
- Calma, Paulo, calma!
- (...) Eu sou um merda. E eu não gosto de ser um merda! Eu não quero ser um merda na vida.
- Você não é. E eu te respeito. Eu sou teu amigo.
- E o que que isso adianta?
- Muita coisa.
- Que coisas?
- Coisas de amigo.
- Que coisas? Hein? Hein? Que coisas, Eduardo?
- Coisas. Como agora.
- Agora o quê?
- Agora para te dizer que você não é um merda.
- Hein? O quê?
- Você não é um merda.
- E por que eu não sou?
- Porque você é meu amigo.
- E daí?
- Se eu tivesse um irmão, eu queria que fosse você.
Paulo calou-se. Abaixou a cabeça. Sentiu vergonha. Quis se desculpar e apertar a mão de Eduardo, mas não fez nem uma coisa nem outra."
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Dentro.
Contribuição de Edney Silvestre ao Tudo Cabe:
"Achou que já tinha passado por aquela situação, a mesma, igualzinha, alguma vez no passado ou agorinha mesmo, e não entendeu o que era nem por que seus olhos tinham se enchido de lágrimas. Outra vez isso, pensou, outra vez essa... essa... o quê?, tomava conta dele como um aperto no corpo inteiro, como se algo estivesse machucado, ralado, ardendo. Mas lá. Dentro. Uma pontada. Não uma dor: pontada. Fina, fina, fininha. Doía fino. E levava tempo para passar. Ou, ao menos, amainar."O trecho está no livro Se eu fechar os olhos agora, de 2009.
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Uma cidade animal
A capa da revista Época SÃO PAULO deste mês é uma das coisas mais fofas que nós já publicamos. Fiquei cheio de orgulho ao receber elogios e ver alguns exemplares em exibição nas bancas. Soube até que, em muitas delas, a Época veio encartada na Época SÃO PAULO, subvertendo a ordem natural das coisas (para nosso deleite).
A edição também trouxe uma novidade. Em razão de mudanças internas, coube a mim escrever o editorial, que apresenta a revista ao leitor. Tomo a liberdade de reproduzi-lo abaixo. E reafirmar as palavras ali publicadas.
A edição também trouxe uma novidade. Em razão de mudanças internas, coube a mim escrever o editorial, que apresenta a revista ao leitor. Tomo a liberdade de reproduzi-lo abaixo. E reafirmar as palavras ali publicadas.
Recentemente, nosso repórter eduardo duarte zanelato chegou irritado à redação. chico, o buldogue francês de sua irmã, havia devorado seu bloquinho, um elegante moleskine. Como um cãozinho pode ser tão cruel? Desde então, Edu não apenas aprendeu a cuidar do filhote na ausência da irmã como passou a dividir apartamento com eles (a irmã e o cão, hoje com 1 ano). Não bastasse, sua namorada, Margarida Telles, também jornalista, assumiu um blog sobre pets em nosso site, o Farejador: Bichos (http://colunas.epocasp.globo.com/farejadorbichos). A experiência só fez aumentar a paixão de Magá por cães. E parece ter contribuído para torná-la ainda mais apegada a Hobbes, seu border collie - raça que ela insiste em chamar de "a mais inteligente do mundo". O nome do animal, aliás, é homenagem a seu filósofo preferido, Thomas Hobbes, o inglês que, em outro contexto, afirmou que o homem é o lobo do homem - e que, até hoje, não sei dizer se tinha um amigo canino.
Quando bebê, Hobbes também mastigou algo valioso de sua dona: um guia de raças. Para Magá, foi a forma que ele encontrou de dizer que dispensava um irmãozinho. Ambos os ataques jamais impediram que os dois jornalistas, autores da reportagem de capa desta edição (pág. 42), estreitassem a cada dia o carinho que têm por seus cães. É esse carinho quase incondicional dos donos por seus animais que explica haver em São Paulo 2,4 milhões de cachorros domésticos - um para cada cinco pessoas - e 4 mil pet shops - número igual ao de padarias. Amor semelhante é o que temos pela cidade. Mesmo quando São Paulo nos obriga a digerir notícias sobre temas dolorosos, como a ameaça de fechamento do Cine Belas Artes (pág. 62) e a escalada da violência na Paulista (pág. 56), é com alegria e vigor redobrados que, com frequência ainda maior, ela insiste em nos fazer festa e abanar o rabinho. Sorte nossa.
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