Descobri uma coisa: sou doido por hambúrguer. Descobri outra coisa: estou completamente por fora do maravilhoso universo hamburguístico paulistano. Foi só pegar a mais recente edição da Época SÃO PAULO e conferir a reportagem de capa - que ajudei a editar - para me dar conta de que, dos 14 estabelecimentos campeões no preparo do sanduíche, eu já havia comido em apenas três. Que-ver-go-nha!
Não esperei nem a revista chegar às bancas para dar início à maratona de estudo de campo. Comigo é assim. Quando percebo que claudico em algum conteúdo relevante para meu desenvolvimento pessoal e profissional, trato logo de buscar conhecimento. No caso, resolvi agendar visitas a algumas das hamburguerias mais famosas (e melhores) da cidade. Em duas semanas, fui a três: o Joakin's, apenas para confirmar a suspeita de que a tradição e o movimento na madrugada independem de uma cozinha nota dez, o 210 Diner e o St. Louis - esses, sim, titulares em qualquer escalação.
Dos 14 salões recomendados por Época SÃO PAULO na referida revista, agora eu já conheço cinco: o Ritz, a Lanchonete da Cidade, a Hamburgueria do Sujinho, o St. Louis e o 210 Diner. Também já fui ao Gardênia e ao Nou, citados na reportagem, embora jamais tenha comido hambúrguer nesses locais. Até o fim de março, pretendo provar os lanches do Rothko - o sanduíche chega à mesa com uma cúpula e envolto em fumaça de churrasco, e leva queijo da Canastra! - e da sofistica Forneria San Paolo - o cheeseburguer é grelhado com cheddar e envolto em massa de pizza, assada no forno a lenha. Vai ficar faltando o Seu Oswaldo, a Hamburgueria Nacional, o P. J. Clarke's... Mas até junho eu liquido todos! Uma coisa eu sei: já devo estar um pouquinho mais gordo do que antes. Ainda bem que minha academia funciona 24 horas.
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sábado, 5 de março de 2011
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
A marvada do timão
Dia desses, escrevi um post intitulado "porco e tricolor" e, em razão do título, despertei algum estranhamento em meus amigos - eles não se conformavam, à primeira vista, com o fato de eu escrever sobre futebol. Logo eu, que, embora saiba as regras de impedimento, sou um alienado em matéria de escretes, arqueiros, líberos e corners. O post da discórdia, no caso, não tinha nada a ver com futebol. Era sobre torresmo, delicioso quitute feito de porco e que, por definição, tem de apresentar três cores distintas, em faixas bem definidas: a da carne, a da gordura e a da pele. Os estrilos da oposição me deixaram cabreiro. Pus-me a cogitar uma estratégia qualquer que me permitisse driblar a ignorância futebolística e, ao menos uma vez, postar qualquer coisa sobre a maldita paixão nacional. Eis que, sorte minha, surgiu há pouco uma excelente desculpa para que eu, finalmente, possa escrever um post que não apenas tangencia o gramado como funciona como complemento para o querido torresmo homenageado semanas atrás. Acaba de chegar ao mercado a cachaça A Corinthiana, veja você.

Fazia algum tempo que a nação alvinegra não encontrava um bom motivo para comemorar. Depois de um primeiro semestre vintage, em que o time do Parque São Jorge trocou o amargo sabor da segunda divisão pela doce conquista do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil (garantindo antecipadamente a vaga para a Libertadores), o Corinthians já se preparava para terminar o ano jururu, sem nenhum título em disputa e nenhum grande jogo pela frente. Nem escândalo - coisa que faz tanta falta quanto êxitos em campo. A poucos meses de 2010, quando o Timão completará um século de glórias e fracassos, surge o bom motivo esperado. Chega às quadras da Gaviões, diretamente de Itatiba (SP), onde é produzido, e promete antecipar o carnaval para dezembro. Chega engarrafado, em três versões distintas, conforme o tempo de amadurecimento e a madeira utilizada nos tonéis: a “prata” descansa por seis meses em dornas de jequitibá-rosa e custa R$ 30, a “ouro” amadurece por um ano em tonéis de carvalho e custa R$ 45, e a “premium” envelhece por cinco anos, também em carvalho, e vale os R$ 65 impressos na etiqueta.
Provei a premium, a mais pó-de-arroz das pingas do clube. E, considerando o sabor da malvada, arrisco afirmar que o pessoal do Parque São Jorge já tem uma ótima alternativa profissional, eficaz e melíflua, para o caso de o esquadrão em campo continuar trançando as pernas no ano que vem.
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sábado, 31 de outubro de 2009
Porco e tricolor
Um clássico.
De lotar arquibancada e inspirar altivas discussões de boteco.
Um clássico.
De pôr saliva na boca e brilho nos olhos.
Um clássico.
Disposto a provar que é possível ser ao mesmo tempo porco e tricolor.
Assim é o torresmo, essa delícia confeccionada com apuro e técnica para deleite da torcida.

Clássico da baixa-gastronomia, parceirinho-cem-por-cento da cachaça e da caipirinha, o torresmo é o milagre da barriga do porco.
Integra o time das gratas surpresas culinárias, como o ossobuco - tenra iguaria nascida da canela do boi - e a pipoca - saboroso e lúdico rebento forjado a partir de um grão de milho seco e miúdo.
Assumi, no mês passado, a calórica tarefa de experimentar alguns dos mais famosos torresmos de São Paulo a fim de eleger o melhor da categoria. Isso é o que eu chamo de Campeonato Paulista, melhor que qualquer concurso de miss.
As informações colhidas durante o trabalho de campo foram compiladas e reunidas em resenha publicada na edição de hoje da revista Época São Paulo, intitulada "O melhor de São Paulo", que fica nas bancas até o dia 6 de novembro. Para a imagem acima, feita pelo fotógrafo Dulla, posaram os artilheiros do ano, os capitães da malandragem, os ganhadores do troféu - coquetes de invejável sex appel e caloroso gingado a rebolar, sedutoras, entre as mesas do Mocotó.
O bom torresmo tem três cores bem definidas. Aprendi isso com minha amiga Dani Doneda, que ouviu a expressão de sei lá quem. São-paulino de fé, embora mais "frôxo" do que "rôxo", gostei da indicação e passei a investigar os subterfúgios de cada uma das cores ali presentes, divididas em três faixas paralelas, como as bandeiras da Itália ou da França.
A primeira etapa do torresmo é a carne. Avermelhada, deve ser macia e generosa, sem exageros de sal, e desfiar a cada dentada. A segunda banda da iguaria é a gordura. Alva, deve ser aerada e leve, dissolver-se na boca sem criar ranço nem grudar nos dentes, o que costuma acontecer em restaurantes menores, pouco experientes na arte de acertar a temperatura da frigideira. Finalmente, a linha da pele deve estalar na boca, pururuca, esbanjando crocâncias e criando uma profusão musical de trecs e rocs: espetacular queima de fogos no céu da boca. Tudo isso em pequenas proporções, é claro, uma vez que o torresmo é primo-irmão dos hai-kais, aqueles poeminhas japoneses de apenas três versos e sintética eloquência, feitos para serem abocanhados de uma só vez.
Com o perdão do trocadilho, tomara que o porco tricolor funcione como aperitivo (acepipe?) para a bela edição de novembro da revista, que o bom glutão não deixará de conferir.
De lotar arquibancada e inspirar altivas discussões de boteco.
Um clássico.
De pôr saliva na boca e brilho nos olhos.
Um clássico.
Disposto a provar que é possível ser ao mesmo tempo porco e tricolor.
Assim é o torresmo, essa delícia confeccionada com apuro e técnica para deleite da torcida.

Clássico da baixa-gastronomia, parceirinho-cem-por-cento da cachaça e da caipirinha, o torresmo é o milagre da barriga do porco.
Integra o time das gratas surpresas culinárias, como o ossobuco - tenra iguaria nascida da canela do boi - e a pipoca - saboroso e lúdico rebento forjado a partir de um grão de milho seco e miúdo.
Assumi, no mês passado, a calórica tarefa de experimentar alguns dos mais famosos torresmos de São Paulo a fim de eleger o melhor da categoria. Isso é o que eu chamo de Campeonato Paulista, melhor que qualquer concurso de miss.
As informações colhidas durante o trabalho de campo foram compiladas e reunidas em resenha publicada na edição de hoje da revista Época São Paulo, intitulada "O melhor de São Paulo", que fica nas bancas até o dia 6 de novembro. Para a imagem acima, feita pelo fotógrafo Dulla, posaram os artilheiros do ano, os capitães da malandragem, os ganhadores do troféu - coquetes de invejável sex appel e caloroso gingado a rebolar, sedutoras, entre as mesas do Mocotó.
O bom torresmo tem três cores bem definidas. Aprendi isso com minha amiga Dani Doneda, que ouviu a expressão de sei lá quem. São-paulino de fé, embora mais "frôxo" do que "rôxo", gostei da indicação e passei a investigar os subterfúgios de cada uma das cores ali presentes, divididas em três faixas paralelas, como as bandeiras da Itália ou da França.
A primeira etapa do torresmo é a carne. Avermelhada, deve ser macia e generosa, sem exageros de sal, e desfiar a cada dentada. A segunda banda da iguaria é a gordura. Alva, deve ser aerada e leve, dissolver-se na boca sem criar ranço nem grudar nos dentes, o que costuma acontecer em restaurantes menores, pouco experientes na arte de acertar a temperatura da frigideira. Finalmente, a linha da pele deve estalar na boca, pururuca, esbanjando crocâncias e criando uma profusão musical de trecs e rocs: espetacular queima de fogos no céu da boca. Tudo isso em pequenas proporções, é claro, uma vez que o torresmo é primo-irmão dos hai-kais, aqueles poeminhas japoneses de apenas três versos e sintética eloquência, feitos para serem abocanhados de uma só vez.
Com o perdão do trocadilho, tomara que o porco tricolor funcione como aperitivo (acepipe?) para a bela edição de novembro da revista, que o bom glutão não deixará de conferir.
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